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2015 - Rumo ao Caribe (Parte 3)

  • Guga
  • 24 de set. de 2016
  • 6 min de leitura

Terceira Etapa da Viagem: Quito – Rio Branco

Maio 2015

Dia 1- Saimos de Quito antes de amanhecer e assim conseguimos nos livrar do trafego e ganhar uma horinha de estrada que perderiamos parados nos congestionamentos.

O Equador possui belas estradas e as melhores delas estão nos arredores de Quito.

Andamos por aproximadamente 150km por uma excelente auto estrada até desviarmos para uma rota alternativa e começarmos a subir nossa primeira cordilheira que para nossa surpresa tambem foi a última dentro do Equador. Saimos de aprox 21 graus para 2 graus no topo das montanhas e depois de aprox uma hora já estávamos com uma temperatura passando dos 30 gaus. Este desvio que fizemos foi por uma rota indicada no gps, passando por uma cidade chamada Oviedo. Apesar de não ser uma das rotas mais usuais e nos acrescentando uma hora a mais na viagem a paisagem e beleza da natureza mais uma vez compensaram as dificuldades do caminho. Neste dia como tínhamos alfândega para entrar no Peru (que por incrível que pareca não demorou mais que uma hora) foi um dos trechos mais longos que ja fiz numa viagem. Foram 15 horas de estrada de Quito-Equador ate um local chamado Playa Los Organos no Peru. Tinhamos programado ficar numa praia chamada Mâncora, mas como ja estava noite e escuro, acabamos não encontrando o hotel e paramos um balneário a frente. O Peru após a fronteira com o Equador possui diversas opções de estadia em inúmeros balneários espalhados pela sua costa.

Ficamos na Posada los Organos. Bonitinha sem luxo mas com um bom restaurante onde pudemos apreciar um delicioso ceviche.

Dia 2- Mais uma vez saímos antes do raiar do dia e fomos presenteados com um nascer do sol numa região de cordilheiras brancas ladeadas pelo Oceano Pacífico. Um visual de tirar o folego por muitos quilômetros até chegarmos a nossa cidade destino chamada Trujillo. Mesmo perdendo muito tempo atravessando diversas cidadezinhas pelo caminho, ainda estava muito cedo e resolvemos tocar mais umas horas chegando em Chimbote, uma cidade maior, as margens do Oceano Pacífico que vive da pesca. Como tudo na vida tem um “Porquê”, paramos num hotel chamado Birilla onde fizemos amizade com o dono, uma pessoa muito atenciosa que nos deu boas dicas das estradas que pegaríamos no Peru. Chegamos a mudar nosso trajeto por causa de suas preciosas informações. Tambem nos indicou um excelente restaurante onde pudemos comer uma excelente carne de boi depois de várias refeições a base de peixe. O que também não é nenhum sacrifício….

Dia 3 – Saimos do hotel por volta das 6:30h, já pegamos um congestionamento na saida da cidade. Rumo a Lima mais uma vez fomos agraciados por uma ótima estrada no meio de cordilheiras de areia com uma vista fenomenal do oceano pacifico que muitas vezes estava num nivel muito abaixo de onde nos encontrávamos quando subíamos pelas estradas das cordilherias. A chegada em Lima foi tensa. São aproximadamente 30 km de congestionamento até conseguimos encontrar o hotel. Durante uns 10 km andamos com a pista inundada de óleo que dificultava muito a condução e frenagem das motocicletas. Mas tirando alguns sustos tudo correu muito bem. Conhecemos Um pouco do Bairro Miraflores e nos esbaldamos com sua gastronomia.

Dia 4 – Saimos cedo de Lima e como era domingo pegamos pouco trânsito na saida o que nos permitiu fazer uma boa quilometragem ainda pela manhã. Nosso destino era passar por Nasca ate Puquio, um pequeno povoado no meio dos andes. Foi um dia de visuais muito diferentes, pois costeamos o pacífico, andamos pelos desertos de Nasca e subimos por uma cordilheira de nos tirao o folego tamanha a beleza e que me impossibilita de achar palavras para descrevê-la. Alem de muito linda, uma das mais perigosas que passamos. Muitos buracos e sem asfalto em varios trechos.Foram 160 Km em 3 horas. Praticamente nao tinha retas. Somente curvas e mais curvas….

Nos dirigimos a Plaza de las Armas de Puquio e encontramos o centro da civilização do povoado. - Aqui vai uma excelente dica para qdo estiverem passando por cidades desconhecidas: Sempre procurem a Plaza de las Armas. Todo povoado do Peru tem e é pelos seus arredores que ficam os melhores lugares para dormir e comer - .

Como era Domingo fomos dar uma olhada na missa que estava acontecendo numa igreja de 1732 quase ao lado de nossa hospedaria. Ao mesmo tempo em que pudemos agradecer a Deus pelos bons dias que tivemos até aquele momento ainda participamos de uma bela cerimônia religiosa da comunidade.

Dia 5 – Saimos de Puquio e o sol ainda não brilhava no céu. Começamos a subir mais uma cordilheira quando a temperatura começou a despencar… Chegou a um momento em que tivemos que parar e esquentar os dedos dos pés e mãos no motor da moto tamanho o frio que estávamos sentindo. Foi um dia de contrastes enormes de temperatura pois a medida que andávamos a temperatura variava entre 0 grau e 29 graus em curtos períodos de tempo. Conseguimos nos esquentar também com um delicioso caldo de galinha, tradicional na região, que encontramos sendo servido a beira da estrada em um pequeno vilarejo…. Depois de 12 horas de estrada finalmente chegamos em Cusco onde passaríamos a noite. Encontramos um belo hotel onde pudemos guardar as motos e depois de uma bela refeição, uma merecida noite de sono.

Dia 6 – Já estávamos acordados as 4 da manhã. Arrumamos nossas coisas e tomamos um café por volta das 5 horas. Saimos do hotel logo em seguida com destino a nossa última cidade do Perú chamada Puerto Maldonado.

Após uns 90 km de Cusco pegamos uma imensa serração no início de uma cordilheira. Depois de muitos quilometros de tensão com muito pouca visibilidade, começamos a subir a montanha a ponto de ficarmos acima das nuvens que provocavam a neblina na estrada. Mais uma surpresa. Quando achamos que já vimos as coisas mais belas da natureza, ela por mais uma vez nos mostra sua infinita variedade de paisagens em cenários quase que impossíveis de se descrever…. Começamos a avistar os maiores picos nevados da viagem que foram crescendo cada vez mais a medida que nos aproximávamos. Eu já tinha passado por este caminho em 2010 mas nessa época do ano a neve estava em quantidades muito superiores.

Depois de horas rodando ao lado na neve, em questão de poucos minutos começamos a avistar cordilheiras verdes logo a frente conforme íamos descendo um pouco o nivel de altitude. Era o início da amazonia peruana. Montanhas imensas em meio a floresta com uma trilha de asfalto rasgando suas terras mais longinquas rumo a fronteira do Brasil. Na descida desta última cordilheira fomos surpreendidos por uma imensa ponte caida sobre a estrada o que nos deu como única alternativa descer aproximadamente 15 kilometros da montanha por uma estreita trilha de pedra e terra em meio as árvores e buracos pelo caminho. Nossas Harleys pareciam touros bravos que tinhamos que dominar antes que fossemos lançados delas devidos aos solavancos do terreno.

Vencida esta etapa e chegando novamente a uma estrada com asfalto, fomos descendo com um cenário de montanhas arvorizadas e um imenso rio que levaria suas águas do degelo da montanha até nossas terras brasileiras… Já num nível de altitude mais baixa, começamos a tiras nossas roupas de frio, pois a temperatura já tinha subido para 35 graus. Depois de mais algumas horas, passamos por um garimpo onde anos atrás uma das motos de nossa turma tinha quebrado. Foi um momento de grande tensão que merece ser contado numa outra oportunidade.

Finalmente chegamos a Puerto Maldonado, uma cidade quase que obrigatória para se dormir quando vai ou vem do Brasil ao Peru devido a sua localização. Fica a umas três horas da fronteira com o Brasil e umas 6 horas de Rio Branco no Acre.

Deixamos nossa motos no hotel e fomos de moto-táxi até a Plaza de las Armas para comer algo e reabastecer nossos reservatórios…

Dia 7 – Acordamos com um forte barulho de chuva. Era somente isso que faltava para completar a viagem. Depois de esperarmos um pouco a chuva diminuiu. Saimos um pouco mais tarde para não chegarmos muito cedo na fronteira e correr o risco de estar fechada. Após um delicioso café numa padaria que encontramos pelo caminho pegamos a estrada as 7 da manhã. Muito tranquilo até a fronteira com o trecho de maior número de lombadas da viagem toda. Eram dezenas delas pela estrada devido ao grande números de povoados existentes por todo o caminho. Fronteira tranquila com pessoas atenciosas. Rapido e eficaz. Após a última Inca Kola da viagem fizemos nossa entrada no Brasil. Este último trecho da viagem até Rio Branco foi um dos mais lentos. Enquanto no Perú tinhamos dezenas de lombadas no alfalto, no Brasil tínhamos centenas de buracos em um asfalto de péssima qualidade. Mas mesmo com esses tristes detalhes de nosso país, mais uma vez a alegria de estar novamente em casa compensou os detalhes da falta de infra estrutura.

Chegamos a Rio Branco debaixo de chuva e aproveitamos para parar num posto e comer um excelente pão com ovo. Praticamente um banquete para quem estava sem comer a quase sete horas. Os detalhes da viagem de Rio Branco a Curitiba contarei junto com a história do garimpo em nossa viagem de 2010.

Forte abraço a todos que acompanharam nossa viagem e aventuras pela América do Sul.

Resumo da Viagem:

22 dias rodando 12.786 KM de estrada até Rio Branco no Acre

7 dias parados em cidades

7 dias de barco de Belém a Manaus pelo rio Amazonas

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